Com mais de três décadas dedicadas à música, o carioca Celso Rangel é um nome que se confunde com a própria excelência da produção musical brasileira. Guitarrista, produtor, compositor, arranjador e diretor musical, Rangel já emprestou seu talento a lendas como Roberto Carlos, Tim Maia, Elza Soares e Ney Matogrosso, além de ter comandado a direção musical do histórico Canecão, no Rio de Janeiro. Agora, radicado em Portugal, ele afina as cordas para um novo desafio: construir sólidas pontes culturais e sonoras entre o Brasil e a Europa.
Essa nova fase ganha forma no Brazilian Jazz Festival, que acontece nos dias 5 e 6 de setembro de 2026, no Palaphita Cascais. O evento nasce não apenas como uma vitrine de talentos, mas como um ponto de encontro e intercâmbio. Segundo Rangel, a escolha de Portugal como base para essa expansão internacional foi ao mesmo tempo estratégica e afetiva.
O local escolhido para sediar o festival, Cascais, tem um apelo especial para o idealizador. Para Rangel, a cidade litorânea funciona como um microcosmo do Brasil em solo europeu, reunindo em sua atmosfera traços de várias regiões brasileiras. É nesse cenário de familiaridade e acolhimento que a diversidade musical brasileira será celebrada.
Para esta primeira edição, a curadoria primou pelo preciosismo e pela valorização dos grandes talentos, focando na fusão orgânica da MPB com o jazz, o samba e outros ritmos. Um dos grandes momentos da programação é o encontro de potências da nossa música: André Rio e Luciano Magno sobem ao palco para uma super homenagem ao projeto MPB Bossa e ao mestre Roberto Menescal.

Do Rio a Cascais, e de Cascais para o mundo, Celso Rangel transforma sua imensa bagagem artística em um passaporte universal, provando que a música brasileira não reconhece fronteiras. Acompanhe abaixo o bate-papo exclusivo em que o diretor musical detalha os bastidores dessa empreitada.
ENTREVISTA EXCLUSIVA COM CELSO RANGEL
1. Depois de anos de brilhante atividade musical e de produtor no Brasil, como foi a virada de chave para Celso Rangel decidir ir morar na Europa (Portugal)?
Celso Rangel: Eu decidi morar na Europa depois de tantas viagens com artistas internacionais e comecei a observar que a Europa é onde tem a maior quantidade de festivais de jazz, festivais de música, onde o diferencial em relação a outros países é que a arte predomina. E isso é uma coisa que me atrai muito. A exposição daqui da Europa para poder ir para o resto do mundo hoje em dia está muito mais forte do que há muito tempo atrás, que era só os Estados Unidos. Então, no segmento de música classe A, a música brasileira na Europa está dominando tudo, então esse foi um dos motivos de eu vir para a Europa para expandir meus negócios em relação à produção, à parte musical e gestão.
2. Como surgiu a ideia do festival Brasilian Jazz Festival Cascais?
Celso Rangel: A ideia de fazer em Portugal foi que Portugal hoje tem a maior comunidade de brasileiros, e aqui tem músicos extraordinários. Também porque Portugal hoje, na Europa inteira, é o país onde acontece o maior turismo em relação à cultura, então tudo o que acontece em Portugal espelha nos Estados Unidos e espelha no resto da Europa. O entretenimento em Portugal cresceu muito, então resolvi fazer edições em Portugal por isso. E Cascais porque é um lugar que tem tudo a ver com o Brasil, é a cara do Rio de Janeiro, a cara da Bahia, a cara da Amazônia. É como o pessoal fala, Cascais é como se fosse um Brasil dentro do continente, de perto de Lisboa.
3. Como foi feita a curadoria e a escolha dos artistas que irão participar do evento?
Celso Rangel: A curadoria foi escolhida a dedo, com músicos e cantoras espetaculares que fazem a diferença. A curadoria veio em cima daqueles músicos que têm a cara do Brazilian Jazz Festival, que é o lance cultural da fusão da MPB com o jazz, com o samba e o funk show. Essa primeira edição eu resolvi fazer uma edição mais contida para poder gerar conteúdo e mostrar a qualidade dos músicos brasileiros locais. A nossa cereja do bolo do Brasil é o André Rio junto com o Luciano Magno fazendo uma super homenagem ao projeto deles, MPB Bossa, que é uma homenagem a Roberto Menescal. Temos também músicos espetaculares que moram aqui, como Ciro Cruz e vários outros.
4. Olhando para o futuro. Qual o caminho e o desejo da organização do Festival para o fortalecimento e engrandecimento do mesmo?
Celso Rangel: Olhando para o futuro, já estamos tendo bastantes respostas para expandir: fazer na Flórida, Los Angeles, Inglaterra, Alemanha e França. E no Brasil, é lógico, onde já estamos quase programados para fazer no Rio de Janeiro, que é um dos cartões postais mais conhecidos do turismo do Brasil. Mas também temos Recife, Salvador, e fazer em várias capitais no Brasil, só esperando ser convidado.


